• Coordenação Motora

A voz como gesto coordenado

Por Enio Mello


O gesto vocal pode ser compreendido como o conjunto de movimentos corporais necessários para a emissão e expressão da voz falada ou cantada.


A voz humana se estrutura pelo encadeamento muscular e articular, se desenvolve no tempo e no espaço, pode ser alterada na relação entre interlocutores e/ou conforme o estado emocional e a saúde, como qualquer outro gesto. Todavia, existem especificidades nos movimentos durante o processo de vocalização e de fala, que demandam coordenação e aprimoramento do sistema sensório-motor, para se obter controle da respiração, da articulação do trato vocal e da ação dos músculos intrínsecos e extrínsecos da laringe.




Em síntese: a respiração é a fonte primária de energia para a fonação e constitui um recurso importante para ajustes posturais. No processo de fonação, a saída de ar dos pulmões é caracterizada pela coordenação pneumofonoarticulatória (CPFA), que envolve os músculos diafragmáticos, os músculos intercostais, a laringe e o trato vocal. O ar passa pela glote (fonte sonora) localizada dentro da cartilagem tireóidea e faz vibrar as pregas vocais (músculos intrínsecos), essa vibração resulta num som que é modificado e amplificado no trato vocal (boca, língua e articuladores). Enquanto isso, os intercostais interferem na posição dos ombros e da cabeça e, os pilares do diafragma exercem uma ação direta sobre a coluna vertebral, acentuando ou diminuindo a curvatura lombar, que por sua vez acionam os músculos do períneo e os psoas, que promovem ajustes na bacia e nos membros inferiores e que definem a posição dos pés no chão.


Todos esses acontecimentos caracterizam o gesto vocal, são passiveis de coordenação e compatíveis à propriocepção de cada sujeito.


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